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Poesia
Rodolfo Dantas | Rodolfo Dantas |
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ASSASSINO Mecanicamente Desferiu trinta golpes Nas costas Do que não via Gritava alto E se assustava Porque o morto Agradecia Após o crime Deitou na grama Beijando o corpo De sua vítima Dormiu na relva Se contorcendo Na sombra enorme Do que perdia ARTUR Bebe um copo de dry martini O corpo flutua na piscina Deitado em colchão de ar Espirais multiplicam-se na água E ele despreza Entoa canções suaves Dessas de brotar infância Algumas palavras são ditas: A vida é breve A carne fraca Deixemos o segredo Dentro das comportas... (Gira, gira, gira) A felicidade nos pêlos Eriçados Indômitos O monstro do Lago Ness empurra o colchão pelos quatro cantos do retângulo Ele ri Agradece Oferece um troco Pousa o grande corvo negro, terrível, cadavérico, trágico, fétido, na mão Bicando Delicadamente Os amendoins torrados (Leve, leve, muito leve) Maracas aquáticas são suas amigas Quer se casar com elas Ter filhos Bordar fonemas O Sol brilha forte Artur não percebe Os vapores se desprendendo O ralo aumentando Rápido De tamanho MUSA 3X4 A velha musa Se deita Retira O olho de vidro Que atira Em copo d'água Olho verde Turmalina Enquanto afunda Vira O escafandrista Aflito De cabo-guia Partido AMOR/TREMOR Dizem que o amor rodava em falso Antes de fincar a cabeça no torso Ao que parece estourava fogos Pela avenida de papéis trocados Agora Nada no lugar Redobra rugas pela noite afora Envia votos De desesperança Não mais declara Demanda Um ogro foi gerado No velho jarro Da sala ESTELIO O esboço está feito Então Mudam-lhe a forma (Ninguém jamais Vai lembrar seu nome) Ao final da montagem Pedem-lhe calma: "Docemente Leve a mão direita à cauda De acuado Lagarto" ETERNO RETORNO De novo viso O visgo limpo Da grandissíssima mãe Que não me afaga Afoga-me Em letra líquida Amniótica O INVENTOR E O CONVIDADO Um outro poema Estaria na página Antes Que o copo entornasse Vinho tinto Francês finíssimo Perdi a chance Do arremate Tudo Corria tão bem: Montanhas castanhas Corpos alados Mas a palavra Escondeu-se na mancha De minha calça (Vinco impecável) Na minha frente O conviva discreto Recitava baladas De um tal Charles Haydn (A voz gritava Todos os versos Que eu certamente Teria inventado) Um outro poema Seria no fundo Caso este não fosse Primeiro E último :: Rodolfo Dantas Nascido em São Paulo em 1970. Professor universitário (Mackenzie, FAAP) escritor e compositor. Pós-graduando em Direito do Estado pela Universidade de São Paulo. Faz parte do Grupo Cálamo, tendo com seus integrantes publicado os livros "Vila Lira Rica" (edição dos autores) e "Desnorte" (Editora Nanquin). Finalista do 9º Projeto Nascente (USP-Editora Abril), com o livro de poemas "Esqueleto Cantor"; finalista do 10º Projeto Nascente (USP-Editora Abril), com o livro de poemas "Especulário". Tem colaborado em revistas como "CULT", "QUAISQUER", "MAGMA" e "LOCUS" |
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Lanny Gordin, Neuza Pinheiro, Madan e Quarteto Kroma se
apresentam durante a 4ª Rave Cultural organizada pela Casa das Rosas. São nada menos do que 12 horas de
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