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A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil mostrou que, em média, o brasileiro lê 4,7 livros por ano, sendo que 100 milhões declararam ter lido ao menos um livro no último ano.
Este é um dos principais resultados da pesquisa encomendada pelo Instituto Pró-Livro ao Ibope Inteligência.
O estudo constatou que somente a leitura de livros indicados pela escola, o que inclui os didáticos, mas não só, chega a 3,4 livros per capita. A leitura feita por pessoas que não estão mais na escola ficou em 1,3 livro por ano.
O estudo, feito pelo Instituto Pró-Livro e Ibope Inteligência, considerou como universo a população na faixa etária a partir dos cinco anos (ou 172,7 milhões de brasileiros). A pesquisa foi feita por amostragem, com base em 5,2 mil entrevistas em 311 municípios brasileiros dos 27 estados, no período de 29 de novembro a 14 de dezembro de 2007.
A nova edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil é o maior estudo já realizado no país sobre o comportamento do leitor brasileiro, abrangendo um universo de 172 milhões de brasileiros (92% da população). Ela revela a percepção da leitura no imaginário coletivo, o perfil do leitor e do não-leitor de livros, as preferências e motivações dos leitores, e os canais e formas de acesso ao livro. Foi aplicada no final de 2007 pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope Inteligência), sob coordenação do Observatório do Livro e da Leitura. Foram entrevistadas 5 mil pessoas em 311 municípios de todas as regiões do país
95 milhões de pessoas (55% da população) declararam ter lido ao menos um livro nos três últimos meses. Se forem incluídas as pessoas que disseram ter lido ao menos um livro no ano que passou, o total sobe para 100 milhões de leitores. Já 45% dos entrevistados (ou 77 milhões) não leram nenhum livro nos últimos três meses. Desse público, 47% são mulheres e 53%, homens.
O índice de leitura varia conforme a região do país, revela a pesquisa. É o caso do Sul, onde foram apurados 5,5 livros lidos por habitante/ano. Em seguida, vem a região Sudeste (4,9), o Centro-Oeste (4,5), o Nordeste (4,2) o Norte (3,9). Os leitores lêem mais nas grandes cidades (5,2 livros por habitante/ano) do que nas pequenas localidades do interior (4,3 em municípios com menos de 10 mil habitantes). A pesquisa também confirma que as mulheres lêem mais que os homens - 5,3 contra 4,1 livros por ano. Os jovens leitores ganham destaque na pesquisa. O público entre 11 e 13 anos chega a ler 8,6 livros por ano. De 5 a 10 anos, lêem 6,9 e de 14 a 17 anos o volume é de 6,6 livros por ano.
Essa média sobe entre os que possuem maior escolaridade. Entre aqueles que possuem formação superior, ela é de 8,3 livros/ano. Esse número é de 4,5 livros para quem tem ensino médio completo, 5 para quem cursou entre 5ª e 8ª série do ensino fundamental e 3,7 para quem tem até a 4ª série.
Por se tratar de uma nova metodologia desenvolvida pelo Centro Regional de Fomento ao Livro na América Latina e no Caribe (Cerlalc/Unesco), que incluiu crianças e adolescentes com menos de 15 anos e pessoas com menos de três anos de escolaridade, os novos números não podem ser comparados com aqueles apurados na primeira edição, em 2000. Para efeito de estudo sobre o comportamento leitor da população, o Ibope separou uma amostra semelhante (população acima de 15 anos, com mais de três anos de escolaridade e que leu pelo menos um livro nos três meses anteriores). Nesse grupo - que não dá para ser extrapolado para o conjunto da população - o índice cresceu de 1,8 para 3,7 por habitante.
"O Brasil está lendo mais. Menos do que precisa, é certo. Porém, mais do que se imaginava. Esse é o recado principal dado pela pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, maior estudo sobre comportamento leitor da população feito até hoje no país, divulgada esta semana, em Brasília, pelo Instituto Pró-Livro. Não dá pra deixar de reconhecer que houve avanços importantes nos últimos anos. Mas também não há como deixar de concluir o seguinte: estamos, sim, no caminho certo; a velocidade é que ainda precisa melhorar." Assim avalia o coordenador da pesquisa, Galeno Amorim, em seu site www.brasilquele.com.br .
A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil - encomendada pelo Instituto Pró-Livro, uma entidade fundada pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) e pela Associação Brasileira de Editores de Livros (Abrelivros) -, será publicada pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo para lançamento na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que será realizada entre 14 a 24 de agosto.
Veja outros dados levantados pela pesquisa:
- Os estudantes brasileiros lêem 7,2 livros por ano, mas 5,5 deles são didáticos ou indicados pela escola. Apenas 1,7 livro é lido por vontade e escolha própria.
- A quantidade de livros aumenta conforme a classe social, a escolaridade e a região onde vivem. Entre os que ganham mais de 10 salários mínimos, por exemplo, são 5,3 livros por ano, sem contar os didáticos.
- No mundo
Espanha: 5 livros por ano
Argentina: 5,8 livros por ano
França: mais de 7 livros por ano
- 46% dos estudantes do país dizem não freqüentar bibliotecas
- 62% dos estudantes dizem que a mãe é uma das pessoas que mais os influenciam a ler
- O Brasil possui 36 milhões de compradores de livros e, entre eles, a média é de 5,9 livros exemplares adquiridos por ano.
- 67% dos entrevistados afirmou que sabe da existência de uma biblioteca pública em sua cidade, mas 73% declararam que não costumam usar o serviço.
- 8% dos brasileiros, cerca de 15 milhões de pessoas, não têm nenhum livro em casa.
- O levantamento mostra uma melhora no quadro do analfabetismo: em 1920 país tinha uma taxa de 65% de analfabetos contra 13% em 2000. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2006 do IBGE, o índice de analfabetos em 2006 no Brasil é de 9,6%.
Mais detalhes sobre a pesquisa no site: www.institutoprolivro.org
Fonte: ABER (Associação Brasileira de Encadernação e Restauro)
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