| Itamar Assumpção |
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![]() Foto: Walter Louzán ONDE SE LÊ RÉQUIEM, LEIA-SE REGGAE Ainda meio grogue, sem saber direito quem era, de onde vinha e onde estava, o negão esfregou os olhos e piscou duzentas vezes, reconfigurando a visão. Constatou, um tanto aflito, que aquele lugar esquisito não tinha teto e nem chão. Pensou: “Será isso um sonho?”. “Mas” – exclamou, ao reconhecer o bigodudo que acenava pra ele de longe: “Aquele lá é o Leminski – morrendo de rir, o filhadaputa, da minha enormíssima aflição!”, Num estalo, compreendeu tudo e sorriu, já no clima. No melhor estilo “urubu malandro”, foi caminhando, digo, planando na direção do outro e mandou: “Licença, meu mano!” E o Tio Lema, com pinta de anfitrião: “Chega aí, Beleléu. Trouxe o violão?” Ricardo Aleixo [13 jun 2003] SONETO 718 ITAMARAVILHADO [a Ademir Assunção] Um negro. Voz de príncipe africano. Nem Ébano, nem Mi-Nas, nem Gilberto. Às vezes mais errado do que certo, mas certo no seu erro, heróico, humano. Teimoso, foi guerreiro de tutano. No samba pôs guitarra e esteve aberto a todas as tendências, muito perto da obra universal, do pleno plano. Maldito, o Nego Dito era capaz de ver num Ataulfo uma vanguarda, desordem progressiva: Pretobrás. Agora o paraíso um eco guarda do canto encantador, da cor que faz ser rei no azul quem nunca vestiu farda. Glauco Mattoso |
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