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Itamar Assumpção PDF Imprimir E-mail
Itamar Assumpção
Foto: Walter Louzán
Considerado um artista de "vanguarda" e "maldito", o poeta e compositor Itamar Assumpção (1949-2003) começou a se apresentar no final dos anos 70, na casa de shows Lira Paulistana, em São Paulo, ao lado de Arrigo Barnabé e com as bandas Premeditando o Breque e Rumo. Misturando música, poesia, vídeo, dança, teatro, as performances foram cruciais para consolidar um espaço de experimentação no cenário artístico paulistano. Em suas músicas, Itamar funde samba, reggae, funk, pop e rock, com lirirsmo urbano, humor e crítica. Gravou três discos independentes nos anos 80 antes de "Intercontinental! Quem Diria! Era Só o que Faltava...", lançado em 1988 pela Continental. Muito gravado por outros intérpretes, notadamente cantoras, como Ná Ozzetti, que gravou várias composições suas, Cássia Eller ("Aprendiz de Feiticeiro"), Monica Salmaso ("Canto em Qualquer Canto", de Itamar e Ná Ozzetti), Virgínia Rosa, Tetê Espíndola, Zélia Duncan ("Código de Acesso") e Rita Lee. Tocou com a banda Orquídeas do Brasil e lançou em 1995 um CD com músicas de Ataulfo Alves. Atuou também como produtor musical e com a banda Isca de Polícia. Fez shows regularmente na Europa, principalmente Alemanha, aonde foi pela primeira vez em 1988, para participar da Dokumenta de Kassel, onde tem diversos discos lançados. Seu último foi o CD "Pretobrás, Por Que Não Pensei Nisso Antes..." (1998), pelo selo Atração Fonográfica. Segundo Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção realizou "um trabalho de originalidade extrema (por não evidente), sem nunca adaptar-se ao 'gosto' indicado pela indústria". Leia a seguir poemas inéditos de Glauco Mattoso e Ricardo Aleixo, escritos em homenagem a Itamar Assumpção. A foto exclusiva é de Walter Louzán, clicada no Sesc Pompéia, numa apresentação de 1998.


ONDE SE LÊ RÉQUIEM, LEIA-SE REGGAE

Ainda meio grogue, sem saber direito
quem era, de onde vinha e onde estava,
o negão esfregou os olhos e piscou
duzentas vezes, reconfigurando a visão.
Constatou, um tanto aflito,
que aquele lugar esquisito
não tinha teto e nem chão.
Pensou: “Será isso um sonho?”.
“Mas” – exclamou,
ao reconhecer o bigodudo
que acenava pra ele de longe:
“Aquele lá é o Leminski –
morrendo de rir, o filhadaputa,
da minha enormíssima aflição!”,
Num estalo, compreendeu tudo
e sorriu, já no clima.
No melhor estilo “urubu malandro”,
foi caminhando, digo, planando
na direção do outro e mandou:
“Licença, meu mano!”
E o Tio Lema,
com pinta de anfitrião:
“Chega aí, Beleléu.
Trouxe o violão?”


                             Ricardo Aleixo
                             [13 jun 2003]



SONETO 718 ITAMARAVILHADO [a Ademir Assunção]

Um negro. Voz de príncipe africano.
Nem Ébano, nem Mi-Nas, nem Gilberto.
Às vezes mais errado do que certo,
mas certo no seu erro, heróico, humano.

Teimoso, foi guerreiro de tutano.
No samba pôs guitarra e esteve aberto
a todas as tendências, muito perto
da obra universal, do pleno plano.

Maldito, o Nego Dito era capaz
de ver num Ataulfo uma vanguarda,
desordem progressiva: Pretobrás.

Agora o paraíso um eco guarda
do canto encantador, da cor que faz
ser rei no azul quem nunca vestiu farda.


                                Glauco Mattoso
 
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