| Daniel Goleman |
|
|
|
|
INTELIGÊNCIA EMOCIONAL NO TRABALHO por Reynaldo Damazio O psicólogo norte-americano Daniel Goleman tornou-se um autor de best seller internacional ao publicar o livro Inteligência Emocional. Seu "achado" teórico foi propor que os seres humanos agem motivados mais pelas emoções do que pela razão. Nossos valores, crenças e tomadas de decisões passam mais por um filtro interno emotivo do que racional. A reflexão, normalmente, vem depois do ato consumado, do impulso mais imediato, do instinto. Segundo Goleman, o centro nervoso de nossa inteligência emocional é a amígdala, localizada na base do cérebro. É justamente aí que se processam as reações de sobrevivência, armazenadas desde épocas primitivas por uma espécie de "memória emocional". Em sua recente visita ao Brasil, Goleman falou para uma seleta platéia de empresários, publicitários e educadores, em uma única apresentação no Memorial da América Latina. O enfoque da palestra foi o da utilização do conceito de inteligência emocional nas relações profissionais, como ferramenta de marketing e de recursos humanos. Para ilustrar sua teoria, Goleman relembrou um episódio de sua experiência pessoal: anos após terminar o curso ginasial, ele participou de um reencontro com os colegas de turma. Constatou-se, então, que o aluno que conquistara melhor situação profissional e financeira não estava entre os que apresentavam, no passado, rendimento escolar mais satisfatório, e sim aquele que mantinha um bom relacionamento interpessoal, que sabia comunicar-se e ouvir as pessoas, que estimulava e mantinha sempre um clima cordial de camaradagem e interação. Apoiado neste exemplo e amparado em extensas pesquisas com mais de 500 empresas em todo mundo, Goleman afirmou que há uma baixa correlação entre sucesso e os índices de Q.I. (fórmula até então consagrada na aferição dos níveis de inteligência). De acordo com tal avaliação, a inteligência emocional (batizada de Q.E. pelo autor) pesa duas vezes mais que o Q.I. e as aptidões inatas na conquista de bons resultados profissionais. Isto quer dizer que não basta possuir um Q.I. acima da média, ou simplesmente manifestar uma habilidade incomum, como garantia de sucesso. É muito mais importante saber gerenciar emoções, promover cooperação e ambiente de harmonia entre as pessoas com quem se trabalha, tomar decisões adequadas, desenvolver o autoconhecimento (de si e daqueles com quem se relaciona profissionalmente) e ter empatia pessoal. Nesta perspectiva, a intuição conta e é fundamental nas tomadas de decisões. Na utilização da inteligência emocional nas relações de trabalho conta mais a "competência social" (controle das emoções, confiabilidade, estabilidade, disciplina, colaboração, autenticidade, ética, responsabilidade, etc.), do que propriamente a "competência técnica". O segredo está em saber adaptar-se aos mais diversos contextos e situações, inclusive não perdendo o controle nos momentos mais difíceis. Utilizar bem a inteligência emocional, segundo Goleman, é ter habilidade para o trabalho em equipe, estabelecendo redes sociais e construindo relacionamentos, mesmo entre pessoas de características temperamentais diferentes. Isso implica no exercício constante do diálogo e da auto-análise, mantendo a humildade em reconhecer os próprios limites e não hesitando em dividir os problemas. Para o indivíduo estar em harmonia com suas aspirações, definidas de acordo com critérios internos que são emocionais, é preciso estar consciente das motivações ("drivers"). Quando isso ocorre, Goleman diz que o indivíduo está "in flow" (em fluxo), isto é, em sintonia com a demanda. Sua produção flui naturalmente, mantendo-o em equilíbrio consigo mesmo e com os demais. O conceito de inteligência emocional pode ser útil tanto no ambiente profissional quanto no cotidiano, nas relações pessoais, na escola. O grande problema, aponta Goleman, é que estudos recentes demonstram que há uma queda significativa nos Estados Unidos do uso desse conceito entre os adolescentes. Claro que não se pode generalizar, mas se cruzarmos este dado com as manifestações de violência praticadas por jovens que decidem fuzilar impiedosamente os colegas na escola, pode-se traçar um panorama assustador de uma crise emocional que se aproxima. Saiba mais sobre o livro: Inteligência Emocional, de Daniel Goleman, Objetiva, Rio de Janeiro, 1995, 375pp., tel. (021) 556-7824, formato 16x 23 cm. |
| < Anterior | Seguinte > |
|---|
| Quarto e último evento da série Errática – Poema ao Vivo, sempre com dois poetas e/ou artistas convidados que fazem leituras de textos seus e de outros autores. Deste encontro participam o poeta, ensaísta, escritor e compositor de música popular, Antonio Cicero e a também poeta e artista visual, Lenora de Barros. | |
| Ler mais... |
| Escritor português ganhador do Nobel de Literatura vem lançar sua obra no Brasil no dia 27 de novembro. | |
| Ler mais... |
|
|