| Claudio Giordano |
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PAIXÃO PELOS LIVROS por Reynaldo Damazio Claudio Giordano fundou a pequena editora que leva seu nome em 1990, com o projeto de editar uma coleção intitulada Memória para resgatar títulos e autores perdidos, esquecidos ou esgotados. A idéia surgiu de seu trabalho no sebo Correa do Lago e hoje, quase uma década depois, a coleção tem 22 títulos, entre raridades como o Livro das Bestas, do catalão Raimundo Lúlio; O Cego de Landim, de Camilo Castelo Branco; Lírica Italiana, de Cláudio Manuel da Costa; Tradições Peruanas, de Ricardo Palma; e a Bíblia Medieval, entre outros. Quando fala de seu projeto de resgate da memória bibliográfica, Claudio Giordano se emociona: "Há insensibilidade para leitura no Brasil. O best seller é uma exceção. A maioria das editoras têm medo de arriscar e só publicam para um público que já existe, criando um ciclo interminável". O trabalho de Giordano é artesanal. Ele seleciona os títulos, traduz, digita, faz a composição, revisa e tira os fotolitos. "Só não tenho condições de imprimir, mas o resto eu faço tudo, com muito prazer". No mercado editorial competitivo e extremamente profissionalizado, este processo de produção parece medieval, mas Giordano continua produzindo livros de qualidade e, principalmente, recuperando títulos que fazem parte de um acervo cultural importante. Além da coleção Memória e de títulos independentes, de ensaio e poesia, Giordano edita a revista de cultura Nanico, outro projeto que o emociona e dá grande prazer. "Nessa revista eu ponho um pouco de tudo, literatura, artes plásticas, etc. Também procuro divulgar um pouco do material que tenho em minha biblioteca e que reuni sem a pretensão do caçador de raridades, mas de curiosidades, obras esquecidas e desvalorizadas". Com a recente publicação do livro Tirant Lo Blanc, de Joanot Martorell, um dos maiores clássicos da literatura catalã, traduzido por Giordano ao longo de quase dez anos a partir da edição original de 1497, a editora realiza um feito histórico. Segundo Giordano, "Tirant Lo Blanc é o verdadeiro romance de cavalaria, traduzido integralmente pela primeira vez para o português, com as aventuras do valoroso cavaleiro catalão. Cervantes o leu na primeira tradução espanhola, de 1511, que não mencionava o autor, citando-o no Quixote. Tirant é uma obra monumental, que praticamente encerra o ciclo dos romances de cavalaria. A obra de Cervantes já é uma paródia do gênero". Na introdução da edição brasileira, Mario Vargas Llosa afirma que "Tirant estará ainda aí, acolhendo-nos, aliviando-nos dos aborrecimentos e misérias da realidade real, e animando-nos com o brilho de suas espadas, a elegância de seus feitos de armas, o desembaraço e a ousadia de suas donzelas, o tumulto de sua batalhas, a magnificiência de seus desfiles e torneios e o incessante rumor de suas línguas loquazes". A pequena editora Giordano realizou uma obra digna das grandes editoras, graças ao esforço incessante e heróico de seu fundador. |
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