| Boris Fausto |
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Boris Fausto fala sobre história da imigração saga da imigração para a América Latina é o tema do livro Fazer América, organizado pelo historiador Boris Fausto. Reunindo especialistas brasileiros e estrangeiros, a obra traz uma contribuição pioneira aos estudos sobre os processos migratórios, com análises historiográficas, econômicas, sociológicas e políticas da questão. Pela abrangência e pela profundidade dos estudos, o drama de milhares de pessoas e suas esperanças de uma vida melhor em novas terras é tratado em toda sua complexidade, desde o âmbito das condições macroeconômicas européias do período ao enfoque micro-histórico das trajetórias familiares e sua adaptação, muitas vezes traumática, aos países de chegada. Co-editado pelo Memorial da América Latina e Edusp, Fazer América será lançado em janeiro. WEBLIVROS!: Que critério norteou a organização deste livro? BORIS FAUSTO: Diante das múltiplas possibilidades de abordagem do tema da imigração, procurei evitar uma excessiva diversidade, tomando como vertente básica as etnias imigrantes. Excepcionalmente, alguns textos não se limitam a esta vertente, sobretudo quando constituem o único texto sobre um dado país. Fiz uma opção suficientemente ampla, capaz de abrir caminho para muitas questões subjacentes, em particular as questões da integração e da construção de novas identidades. WEBLIVROS!: E como se deu a escolha dos países, nessa perspectiva? BORIS: Em algumas situações, como é o caso da Argentina e do Uruguai, isto se deu tanto de um ponto de vista quantitativo quanto qualitativo. Em outras, o principal exemplo é o Chile, a presença do imigrante tem relevância em função dos postos significativos que veio a ocupar na estrutura sócio-econômica, não obstante seus efetivos numéricos serem relativamente baixos. Compreensivelmente, predominam os países banhados pelo Oceano Atlântico, mas foi possível integrar pelo menos dois dos localizados na costa do Pacífico (Chile e Peru), além de fazer uma incursão pelo Caribe, ao examinar a imigração espanhola a Cuba. A concentração da maioria dos ensaios nos casos da Argentina e do Brasil explica-se pela importância que os dois países tiveram no processo imigratório. WEBLIVROS!: Qual a relevância do tema da imigração para a historiografia contemporânea? BORIS: Os estudos sobre a imigração, sob as mais diferentes formas e conteúdos, ganharam crescente impacto nos últimos quinze anos. Entre outras razões que explicam esse florescimento, destaco a crise dos grandes modelos explicativos do processo histórico, deixando espaço para novas perspectivas. O fenômeno migratório surgiu como terreno particularmente fecundo ao abrir caminho para a elucidação do comportamento dos agentes sociais, despertando também questões em torno de sensibilidade, do imaginário etc. Este volume é um reflexo disso e um indicador animador da quebra do isolamento nacional dos diferentes especialistas. Espero que seja um dos pontos de partida de contatos e de pesquisas coletivas. |
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