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Dagoberto Luiz Moutinho de Miranda Chaves |
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SEGUNDA EU COMEÇO
Ano 2000: novo milênio e, para os desavisados, novo século também. A virada do milênio traz consigo uma série de mitos e previsões mirabolantes, do profeta Nostradamus ao filósofo popular Gentileza. Cataclismas, sonhos impossíveis, supostas estatísticas que não se cumpriram e o qüingentésimo aniversário da submissão calada de um povo. Ao final da contagem regressiva, verifica-se que o mundo não acabou, que os carros não voam e que não povoamos o fundo do mar.
Substituindo as suposições reticentes das estatísticas inacabadas por dados reais, temos nas mãos a representação de uma realidade amargamente tangível. Realidade esta aos utópicos despida de toda e qualquer idealização, que faz aniversário: cinco séculos. A efetiva existência de dias que se repetem gera as lágrimas do povo sonhador que aumentam a impetuosidade das águas de enchentes que inundam o Rio de Janeiro desde muito antes do governo de Peireira Passos no início do século XX.
Lágrimas que superam os anos, fazendo sulcos profundos na face de uma gente que ascende de maneira retrógrada aos tempos, na Era de Aquarius valores Barrocos são retomados. O medo do Fim faz com que as pessoas busquem a redenção de seus pecados em novos cultos exaltadores de supostos paradigmas assassinos do real agnosticismo. O coquetel formado pelo desejo de fuga de uma vida tão cruel mistura-se ao desejo de absolvição de pecados inexistentes e medo da incerteza do futuro - há tempos atrás "Ano 2.000" era um sinônimo para "futuro" - gera a acomodação do povo na cadeira elétrica que o executará. A adversidade da situação é explicada pela submissão comodamente insipiente de uma gente que permitiu (e permite) ser manipulada e se prostituir. Esta gente reivindica seus direitos sentada nesta mesma cadeira letal.
Em suma, nos primeiros segundos do primeiro dia de janeiro do ano de 2000, envolvidos no barulho ensurdecedor de fogos que anunciam a chegada de mais uma ressaca "passé-réveillon", teremos a sensação de estarmos colocando os pés na primeira segunda-feira de uma dieta que não iremos cumprir. Voltemos, então, aos chocolatinhos e às feijoadas. As mudanças ficam para o ano 3.000.
::Dagoberto Luiz Moutinho de Miranda Chaves, 18 anos, é estudante de Direito e Diretor Geral da Rede Brasil. (www.redebrasil.net). E-mail:
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